Entrevista com Marianne Borges Tavelli (Mari Tavelli), candidata a Prefeita em Barueri

Marianne Borges Tavelli, mais conhecida como Mari Tavelli, 32 anos, nasceu no Ceará e mora em Barueri desde os seus 14 anos de idade. Hoje é candidata a prefeita pelo PSB em Barueri, acompanhe com exclusividade a entrevista com Mari Tavelli.

 

1.Fale um pouco sobre sua trajetória política em Barueri e quem é Mari Tavelli.

Euclides da Cunha foi certeiro quando disse que o sertanejo é, antes de tudo, um forte. Acho que uma sertaneja precisa ser um pouquinho ainda à mais. Eu nasci em uma cidade pobre, no interior do Ceará. Foi uma infância muito pobre, mas muito feliz. Minha base de caráter e senso do certo e errado foram aprendidos ali, com a minha mãe, minha avó, minha madrinha. A nossa casa era muito humilde e ficava na beira da estrada. Eu via aqueles caminhões passando, os trens passando na estação que fica lá perto e sempre me pegava pensando “onde será que esses caminhos podem levar”. Aos 14 anos vim responder essa pergunta em São Paulo, chegando em Barueri com 200 reais no bolso. Trabalhei duro como estagiária, auxiliar administrativa, comecei a pagar meus estudos porque entendi que essa seria a única forma de mudar de verdade a minha vida. Fui estudar inglês, fiz faculdade e sempre trabalhando muito. Quando as coisas começaram a melhorar, eu fiz questão de trazer minha família pra ficar comigo. Valorizo demais a família, sabe? Os valores que mais importam são esses. E acho que por isso que entrei no PSB de Márcio França. Pra fazer política tem que gostar de gente. Tem que entender de gente. Trabalhei diretamente com o França no Governo de SP, me tornei Presidente municipal do PSB e hoje sou candidata à Prefeita de Barueri. Mas a história não termina aí não, ela tá só começando.

 

  1. Qual é o seu objetivo caso seja eleita prefeita em Barueri?

Meu principal projeto é unir as duas cidades que hoje habitam no território de Barueri. É muito comum ouvir pessoas que moram no Engenho Novo falarem que estão indo para “Barueri” quando se deslocam ao Centro ou para Alphaville. É preciso unificar a cidade. E pra isso é necessário dialogar, ouvir as pessoas de verdade, fora dos gabinetes e da burocracia. Conversar com a iniciativa privada para atrair e incentivar novos investimentos que ajudam a impulsionar nossa economia e, por outro lado, trazer a população mais pobre, que ficou para trás, para acompanhar o crescimento, gerando oportunidades e capacitação para que o cidadão mais humilde também possa subir na vida. Nossa cidade tem um orçamento bilionário e uma população total que não é tão numerosa, então o que pra muitas cidades é impensável, para Barueri é possível. Nosso programa de governo está sendo construído com ajuda de especialistas e autoridades de quatro grandes eixos temáticos, mas também inserimos pessoas comuns nesse processo, para que seja uma construção ampla e que traduza o sentimento das pessoas, entenda as demandas da cidade e traga a visão estratégica que temos pra Barueri.

 

  1. Qual será seu maior desafio nessa eleição?

Enfrentar uma poderosa máquina de governo e um grupo político que é hegemônico desde os anos 80. Isso requer muita coragem. Desde 1983 que as mesmas pessoas se revezam na cadeira de prefeito. Os mesmos nomes, os mesmos partidos, os mesmos interesses. E é preciso apontar um caminho diferente, que seja viável. Márcio França, ex-governador de São Paulo, lançou esse desafio de organizar o partido e criar uma frente de oposição capaz de se colocar como alternativa à esse grupo dos poderosos. Sei que o desafio é grande, mas liderei essa missão. Organizei o partido, criamos debates, trouxemos a base para participar das conversas e, ao final, fui aclamada como representante desse movimento. Então se colocaram na minha mão a bandeira da renovação, eu vou empunhá-la, vou levantar essa bandeira e sei que muitos outros também virão. Ser candidata contra os donos do poder requer muita coragem. E essa coragem eu tenho desde pequena, minha história de vida mostra isso. E com o povo, nada é impossível.

 

  1. Quais são seus principais projetos para a população de Barueri?

Temos diversos projetos presentes em nosso plano de governo. Vou destacar aqui cinco deles que serão vitrine do meu Governo. O primeiro deles é o Programa Ensino 100%, que irá garantir escola em tempo integral para 100% dos alunos da rede municipal. Essa é uma forma de compensar as perdas da pandemia e, além disso, ajudar as mães a poderem procurar emprego, sabendo que seus filhos estão sendo alimentados e estudando. Para isso, vamos aumentar em 100% a carga horária, trazendo atividades culturais, de esporte, lazer e empreendedorismo para essa grade. Além disso, os professores da rede municipal terão 100% de aumento, equiparando o salário ao que é pago aos professores do FIEB. O segundo projeto que quero destacar é o Programa Ninguém Fica Pra Trás. Esse será um projeto de Renda Mínima que criará uma rede de auxílio e proteção social de 600 reais para os milhares de baruerienses que vivem em situação de pobreza, pelo período de um ano, amparando os jovens e desempregados e ajudando a injetando dinheiro na economia da periferia, beneficiando o comércio e empreendimentos locais. Se por um lado vamos ajudar a população mais carente, pelo outro vamos ajudar o pequeno e microempresário que precisou fechar suas portas durante a pandemia e não conseguiram voltar à atividade econômica. Para isso, criaremos o Programa Reabrir Barueri: Crédito de 50 mil reais para pequenas e microempresas que precisaram fechar ou demitir funcionários durante a pandemia Vamos criar esse subsídio, com taxa de 0,5% ao ano e carência de 9 meses. Assim, a Prefeitura vai ajudar o setor privado a reerguer a economia da cidade e gerar postos de trabalho. Outro programa que vejo como emblemático é o Programa Ouvir Barueri. Esse é um programa de orçamento participativo, que irá destinar uma parte dos recursos do poder executivo para obras e melhorias apontadas como prioridades pela sociedade civil em cada um dos bairros e comunidades da cidade, através de debates e audiências públicas. Dessa forma, vamos tirar as decisões de dentro dos Gabinetes e das portas fechadas e daremos ao povo não apenas voz, mas poder real de escolha.

 

  1. Como você enxerga a importância da mulher na politica?

Eu olho para Barueri e vejo uma cidade plural. Desde a nossa origem somos formados por pessoas de raças, cores e origens diferentes, mas essa não é a configuração da representação política da nossa cidade. E isso acaba sendo refletido também na participação de mulheres no xadrez eleitoral. Para se ter uma ideia eu sou a única candidata mulher a concorrer nesta eleição. Na câmara de vereadores o percentual de mulheres é muito baixo e não estou falando da atual legislatura, é em toda a história de Barueri. As mulheres precisam participar da política não apenas por representatividade, mas também por competência, por merecimento. No mundo inteiro são vários os exemplos de mulheres que comandam importantes nações e possuem governos aprovados e reconhecidos como referências de gestão pública. Por isso me inspiro e, ao mesmo tempo, espero inspirar também mais mulheres a entrarem na política. A nova política precisa de mais pessoas fora dos gabinetes oficiais para renovar a atitude e a forma de fazer política e acredito que as mulheres podem contribuir muito com essa renovação.

 

  1. Como você avalia a gestão do atual prefeito, o que você teria feito de diferente?

Entendo que a eleição não pode se encarada como um referendo para saber se as pessoas avaliam o Governo de forma positiva ou negativa. A eleição é a escolha de qual será o caminho da cidade durante os quatro anos pela frente. Não se trata de uma disputa do passado, mas do futuro. Eu não estou liderando um projeto anti-Furlan, mas sim um projeto pós-Furlan, olhando para frente. Respeito o Furlan, mas ele já foi prefeito da cidade várias vezes, desde 1983. E desde então até os dias de hoje a cadeira de Prefeito é ocupada por ele ou por alguém ligado a ele. Já estamos nessa mesma narrativa por quase 40 anos. Então precisamos olhar pros próximos quatro anos e avaliar o que queremos daqui pra frente. Será que Barueri merece ser cabide de emprego para ex-Prefeitos do PSDB? Vários secretários da gestão são Prefeitos aposentados de outras cidades, que não têm ligação com Barueri e acabam vindo pra nossa cidade contribuir com esse projeto de poder, que já dura várias décadas. O mundo é outro desde 1983 e o prefeito continua o mesmo. Precisamos renovar os nomes, as ideias e os caminhos. E é isso que eu estou apresentando à cidade.

 

  1. O que você gostaria de acrescentar que não foi perguntado?

A eleição é um jogo de tabuleiro onde quem move as peças é o povo. Mas para estar bem posicionado nesse jogo é necessário uma série de elementos. O apoio político e respaldo do partido é fundamental e por isso que minha candidatura mostra solidez. Contamos com o apoio político e decisivo do Márcio França, que teve uma votação expressiva em Barueri na última eleição para Governador. Também conseguimos construir uma base de candidatos à vereadores muito forte e temos articulado uma rede de apoios que será fundamental para entrar forte nessa disputa. Tudo isso, todo esse esforço e empenho, é para equilibrar um pouco o peso dessa disputa. Do outro lado existe uma máquina governista em operação e um candidato que representa a manutenção desse modus operandi de trabalho, com cargos de confiança para muitos membros do partido e um poder econômico que buscará a sustentação desse grupo no comando da cidade. Mas nós temos o principal: um discurso forte e verdadeiro. E nada é mais poderoso do que um discurso verdadeiro. Vamos levar nossa mensagem, dialogar com as pessoas, com o povo simples que trabalha para empreender seu próprio destino, assim como os empresários que empreendem para fazer a diferença na economia e na configuração da cidade. E assim, com diálogo e com a nossa verdade, tenho certeza que vamos levar essa disputa pro segundo turno, onde poderemos debater a fundo os problemas e soluções para cidade e aí a sociedade poderá escolher qual o caminho que deseja para sua vida e pras futuras gerações.

 

  1. Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar para nossos leitores e para a população de Barueri

Minha principal mensagem é de esperança e coragem. Tenho esperança de que é possível trilhar um novo caminho e é por isso que atendi ao chamado do povo e aceitei a missão do meu partido. Tive a coragem de entrar nessa disputa sabendo que do outro lado os poderosos não vão largar fácil a estrutura de poder que é mantida por décadas. E se eu tenho tanta esperança dentro de mim é porque sinto ela também nos olhos das pessoas. No sorriso em cada caminhada, nas palavras de incentivo em cada agenda de rua. Também vejo a coragem de nossa gente, que trabalha duro, que empreende o próprio destino e que nessa eleição irá escolher um novo nome, para uma nova Barueri.

 

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