A crise envolvendo a gestão do Solar das Águas, em Olímpia, ganhou um novo capítulo com a criação da AMUSOLAR (Associação dos Multiproprietários do Solar das Águas). O movimento, formalizado em janeiro de 2025, surgiu da crescente insatisfação de cotistas que reclamam de falta de transparência, problemas estruturais e decisões administrativas tomadas sem comunicação adequada.
O que começou como um grupo de WhatsApp para troca de informações se transformou rapidamente em um ambiente de denúncias sobre falhas na manutenção, qualidade dos serviços e dificuldades em dialogar com a administração do empreendimento.
Revolta dos cotistas: de grupos de WhatsApp à formalização jurídica
Piscinas sujas ou frias, apartamentos novos já precisando de manutenção, filas enormes de check-in em feriados e até vistorias com infiltrações e boxes danificados: foram essas reclamações que uniram os multiproprietários e levaram ao nascimento da iniciativa.
A partir do subgrupo “Por um Solar Melhor”, cotistas tentaram abrir diálogo com a administração, mas esbarraram na falta de respostas. A percepção de que apenas uma entidade formal poderia representar os interesses dos proprietários motivou a criação da AMUSOLAR, com apoio jurídico do escritório Paiva Nunes Associados, especializado em multipropriedade.
Hoje, a associação reúne 112 multiproprietários, mas a meta é ampliar essa representatividade e pressionar por mudanças efetivas.
Críticas à gestão: decisões sem transparência e dúvidas sobre as finanças
A AMUSOLAR aponta diversas falhas que, segundo os associados, colocam em risco o patrimônio dos cotistas e comprometem a confiabilidade da administração.
Entre as principais reclamações estão:
🔹 Falta de transparência administrativa
- Decisões importantes tomadas sem aviso prévio.
- Trocas de pisos de piscina pagas pelo condomínio.
- Cobranças elevadas por água aquecida.
🔹 Falta de representatividade real
- Criação da figura do “cabecel”, representantes desconhecidos pelos proprietários.
- Associados afirmam que a administradora concentra poder e impede participação efetiva.
🔹 Comunicação falha e assembleias problemáticas
- Proprietários não recebem convocação para reuniões.
- Atas e documentos só aparecem após as assembleias e com pouca informação.
🔹 Documentação e IPTU atrasado
- Propriedades ainda não registradas.
- Débitos de IPTU acumulados desde 2021.
- Cobrança de “taxa extra” para acordo de IPTU sem consulta prévia aos cotistas.
🔹 Saúde financeira do empreendimento preocupa
- Acesso limitado aos Demonstrativos de Resultados (DRE).
- Resultados frequentemente negativos, sem explicações claras.
Segundo a AMUSOLAR, a sensação é de que decisões que impactam diretamente o bolso dos multiproprietários vêm sendo tomadas de maneira unilateral, sem transparência e sem justificativas adequadas.



