Experiência de Rubens Furlan fortalece projeto, mas cenário na esquerda segue indefinido
O tabuleiro político de 2026 começou a ganhar contornos mais claros — e também mais tensos. O ex-governador Márcio França deu um passo estratégico ao anunciar, em suas redes sociais, o ex-prefeito de Barueri por seis mandatos, ex-deputado estadual e federal, Rubens Furlan, como primeiro suplente em sua chapa ao Senado.
E não é qualquer escolha.
Furlan carrega um peso político relevante, principalmente na região oeste da Grande São Paulo — um verdadeiro celeiro de votos que, eleição após eleição, vira alvo de deputados em busca de densidade eleitoral. Ter um nome com trânsito, história e articulação consolidada nesse território não é detalhe, é estratégia pura.
França, que até então não vinha figurando com força nas pesquisas, ganha musculatura política com essa composição. A leitura é simples: somar experiência administrativa com capilaridade regional. E nisso, Furlan entrega.
Mas nem tudo é caminho livre.
O mesmo partido que abriga França agora também conta com um outro peso pesado: Simone Tebet, ex-ministra e candidata à Presidência em 2022, recém-filiada à sigla. Sua presença muda o jogo — e muito. Tebet não chega apenas como mais um nome, mas como uma candidatura competitiva, com recall nacional e articulação em Brasília.
E o cenário complica ainda mais quando se olha para o campo da esquerda. Marina Silva também desponta como pré-candidata ao Senado por São Paulo. Ou seja: o campo progressista pode entrar dividido em uma eleição que exige estratégia cirúrgica.
Vale lembrar: em 2026, o eleitor paulista terá que escolher dois nomes para o Senado. Isso abre espaço, mas também exige alianças bem costuradas. Não dá para errar na matemática política.
O que está em jogo agora não é só quem tem mais voto, mas quem consegue construir o melhor arranjo. França deu um movimento importante ao trazer Furlan. Mas, no xadrez da política, antecipar jogada não significa vencer partida.
Nos bastidores, a pergunta já ecoa:
quem vai conseguir unificar — ou ao menos organizar — esse campo tão fragmentado?
Porque uma coisa é certa:
a disputa pelo Senado em São Paulo promete ser uma das mais intensas dos últimos anos.



